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Ano 1503: parte a terceira expedição portuguesa para reconhecimento do litoral brasileiro. Ocorre um acidente pela costa brasileira e a frota se dispersa. Dois navios sob o comando de Américo Vespúcio seguem viagem, contornando uma faixa de terra que se assemelha a um "cabo" e somado aos "frios" vindos do Atlântico Sul (Fenômeno da Ressurgência), levam os portugueses a batizar o lugar de CABO FRIO.
Ao chegar em "Cabo Frio" junto ao porto, os expedicionários com os cristãos constroem e guarnecem uma fortaleza para explorar o "Pau-brasil", a qual foi destruída pelos índios Tamoios devido a muitas desavenças entre eles e os portugueses. Este fato, no entanto, não impediu que os franceses continuassem a traficar o "Pau-brasil" e outras mercadorias.
Em 1575, o Governador do Rio de Janeiro, Antônio Salema, reúne um poderoso exército com gente da Guanabara, São Vicente e Espírito Santo, apoiado por grande tropa Tupiniquim catequizada, tendo como objetivo liquidar o último bastião da confederação dos Tamoios e acabar com o domínio francês que já durava alguns anos em Cabo Frio. Após a rendição da fortaleza franco-tamoia, sangrenta batalha foi travada e, as tropas vencedoras seguem pelo sertão, deixando rastro de uma grande destruição nas aldeias onde passam e conseguindo aprisionar uma quantidade enorme de índios. Alguns sobreviventes refugiam-se na Serra do Mar e Cabo Frio transforma-se em um verdadeiro deserto humano.
Seguida esta batalha, os portugueses estabelecem um bloqueio naval mais ou menos eficiente com a base na cidade do Rio de Janeiro; entre 1576 e 1615, o porto volta a ser freqüentado por navios europeus em busca de pau-brasil, tornando-se também a base para pirataria contra embarcações portuguesas que procuravam dobrar o cabo.
Em 13 de Novembro de 1615, com a ajuda de 400 homens brancos e índios catequizados, é levantada a fortaleza de Santo Inácio e fundada a cidade de Santa Helena do Cabo Frio.
Em 1616, um rico fazendeiro e comerciante de escravos africanos do Rio de Janeiro, Estevão Gomes, é nomeado Capitão-Mor de Cabo Frio e transfere o sítio da povoação colonial para o bairro da Passagem, rebatizando o lugar como cidade de Nossa Senhora da Assunção do Cabo Frio. Simultaneamente é construído o forte de São Matheus e destruído o de Santo Inácio; na mesma época dá-se início a formação de latifúndios.
Em 1617, Estevão Gomes apoia o estabelecimento da aldeia de índios de São Pedro do Cabo Frio pelos jesuítas, que abriga 500 tupiniquins catequizados, com o objetivo de evitar desembarque inimigo europeu na costa.
No início do século XVIII, o forte de São Matheus é guarnecido e rearmado, a defesa da Capitania passa a contar com parte da infantaria além do regimento de cavalaria. A cidade de Cabo Frio expande-se, sendo reformadas e construídas igrejas. Esta expansão urbana reflete o sucesso de várias atividades econômicas exportadas para o Rio de Janeiro.
Na agricultura destaca-se as plantações de anil, coxonilha, legumes, cana-de-açúcar, mandioca, feijão e milho. Apesar da repressão portuguesa, a produção de sal ainda é abundante. Intermitentemente proibida, esta ordem nunca foi cumprida, levando ao tráfico do produto marinho. São construídos dois engenhos para a produção de aguardente e ergue-se a fazenda Campos Novos, destinada à criação de gado para abastecimento de açougues cariocas e de lavras de ouro das Minas Gerais.
O surgimento da construção naval e da indústria do cal (feitas com conchas de lagoa) abrem várias perspectivas econômicas regionais.
A abolição da escravatura em 1888 desorganiza algumas atividades produtivas, como a agricultura e a pecuária em pequena escala. A produção do sal, entretanto, não é afetada, pois há alguns anos se fizera a substituição do braço escravo pelos imigrantes portugueses do Aveiro.
Embora a atividade pesqueira continuasse competitiva, em especial depois da introdução das traineiras na captura em alto mar, na metade do século XX o parque salineiro continua a dominar a produção econômica regional.
A atração da iniciativa privada para exploração do sistema de energia elétrica na cidade, a ferrovia Niterói - Cabo Frio e a posterior inauguração da rodovia Amaral Peixoto contribuem para o aumento da produção do sal e para o transporte eficiente até a capital da República e outros importantes centros consumidores do país.
Acontece o auge do desenvolvimento setorial com a instalação de duas grandes usinas de beneficiamento de sal em Cabo Frio e com a construção do complexo industrial da Cia. Nacional de Álcalis. A crescente industrialização do município atraiu numerosos trabalhadores brasileiros.
Com a melhoria das vias de acesso e as condições climáticas excepcionais, ou seja, seus recursos naturais, além do patrimônio natural e cultural extremamente atrativos, é estimulado o lazer semanal e o turismo das " praias para o banho". Antes, era ponto de atração de ricos aventureiros da cidade do Rio de Janeiro, de encontro social de poucos privilegiados, de praticantes de esportes náuticos e submarinos. Com a modernização do atual Município, Cabo Frio melhorou ainda mais sua condição de cidade turística, transformando-se em um paraíso repleto de esporte e lazer para todas as idades.
Hoje, através do nosso Carnaval, o Rei Momo convida a todos para mergulharem neste mar de alegria, embalados ao som da Cabofolia!